domingo, 4 de abril de 2010

INTERAÇÃO

Um toque de inocência, palavras aos ares.

Sedimentam vontades numa harmonia ideal,

Sem fossos ou abismos como entraves.

As percepções mostram-se em cores tão pujantes,

Oriundas de um trono sublime,

Obedecem a uma certa lógica, não são errantes.

Eis as chaves do coração: Doses generosas de amor.

Qualquer um pode abri-lo,

Basta repudiar o rancor.

Não é tão fácil como parece, quebrar um bloco de gelo,

Insistir mais um pouco ainda é o melhor a fazer,

Deixe o amor derretê-lo.

Despertam as vontades intrínsecas; são alentos.

São importantes demais para ficarem adormecidas.

Há ouvidos no coração, estão atentos.

Cristiano Santana

IMORTAL

Vi uma abelha ao longo do bosque,

Fiz questão de apreciá-la, era peculiar sua forma,

Não existia outra igual, raríssima no modo de voar.

Procurava néctar entre as flores,

Cortava o vento com esperteza.

Sei, era independente nos ares.

Polinizava com alegria as plantas.

Claro, sua ferroada era potente,

O veneno era quase mortal.

Havia uma aparente fragilidade em sua face,

Contudo, era aguerrida de forma extravagante,

Suas asas incontidas necessitavam de liberdade.

Prodigiosa, não teve jeito, coloquei-a num âmbar,

Agora é perene, presa nas lembranças;

Imortal nas palavras singelas da poesia.

Cristiano Santana

A ROCHA

Envolto num casulo, cerro os olhos.

Imagino um lugar perene, sons suaves.

Há lágrimas de júbilo; o oposto das de hoje.

Existe um Rei, fiel aos seus súditos,

Complacente de forma extravagante,

Capaz de guiar-nos pelas veredas.

Suas palavras ecoam pelos arautos,

O vento não pode contê-las,

São vivas e eficazes.

Percorrem todo o coração do ser,

Avassaladoras, acalentam meu espírito:

“Coragem! Coragem! Coragem!”.

Ali não há lugar para a insensatez,

Está reservado para os prudentes

Que edificaram suas casas sobre a Rocha.

Cristiano Santana

TORNADO

Sobre todos os aspectos dos ângulos da visão,

Rompem-se, de forma desordenada, alavancando imagens inóspitas.

Um desafio aos serenos sentimentos.

As aflições são desvanecidas pelos ventos,

Tornados de determinação são de grau máximo,

Levando consigo as folhas secas da estação.

A esperança é tão evidente que, rumo ao norte,

Há mantimentos suficientes para a alma.

Uma chuva de deleite se aproxima.

Fixei os olhos no horizonte e vi verdades pétreas,

Ao contrário do que me disseram ao longo da jornada,

Carrego um fardo, porém entreguei ao tempo.

Bruscamente, o amanhã me abateu , tive acesso ao sol,

Revigorado pelos raios matinais,

Outrora fui devastado por mim, agora surgem flores.

Cristiano Santana

REFLEXO

Olhei fixamente no espelho vi coisas inesperadas:

Ansiedade, medo e melancolia.

São máscaras refletidas na alma.

Pedi uma trégua a esses reflexos,

São atrozes demais!

Corroem as facetas da alegria.

Ontem reconheci parte de mim,

Agora manipulo meu dia,

Triunfante: sacio o tempo.

Havia lacunas diante de meus olhos.

Foram preenchidas pela lucidez,

Segui a estrada dos sensatos.

Sei que não há simetria em cada amanhecer,

Porém, farei do meu coração escudo contra as agruras.

Adicionei aromas suaves aos meus dias.

Cristiano Santana

MIRÍADES DE LÁGRIMAS

Lúgubres atos, banalização da vida.

Na trilha diária,

Dramas, histórias relidas.

Veneno destilado,

Farpas arraigadas,

Caos consumado.

Brutalmente arrebatam luzes vitais.

Brindam ao ódio e ao ressentimento.

Pedras de tropeço que estilhaçam vitrais

Na frieza demente, desapontamentos.

Percepções opacas.

Reles sentimentos.

Entorpecidos pelo ódio insano,

Vislumbram felicidade nebulosa.

Chuva de engano.

Pontiagudos espinhos.

Estradas da ambição,

Loucos caminhos.

Ócio, oficina do agouro.

Chuva ácida.

Fábrica de choro.

Cristiano Santana

Madrugada

Sopra no meu rosto a ansiedade, carregada de dúvidas e indagações,

As respostas estão presas nos ventos, cheias de esperança.

Parei em frente à janela e vi gotas de alegria.

Os olhos verdes podiam me dizer algo sobre o futuro,

Apenas esperei as afirmações nas madrugadas,

Podia sentir a voz do alento.

As horas são como espadas afiadas prestes a cortar a pele,

Deixam cicatrizes profundas de sentimentos incertos,

Soam como mares bravios, ondas gigantes.

O sono fui cortado pelos ecos do coração.

Seguindo em direção às colinas do amor

Interrompi as exigências egoístas.

Quero o abraço do tempo e esperar o aceno da mão,

Chamando-me para o abrigo seguro

Durante as noites frias.

Ninguém viu, subiu ao meu entendimento,

A vida me preparou coisas inimagináveis,

Posso navegar nos sonhos durante a madrugada.

Cristiano Santana

INERTE

Sem contornos definidos, sinto frio na face,

Essa ilusão percorre todo o coração do ser.

Bestialidade notória,vizinha do ocaso.

Há fragmentos amorfos de indecisão no ar,

São tão evidentes como as gotas gélidas do vendaval,

Semelhantes às indagações feitas aos tolos.

As sutilezas do engano seguem uma lógica sem nexo,

Denotam as faces ocultas do silêncio.

Caracterizadas pela dúvida.

A estrada foi maculada pelo ego,

Corrompida pelo ódio,

À espera pela cicatriz.

Sem os sinos melódicos do coração,

Fui presa fácil da armadilha da vida,

Inerte a todos os acontecimentos

Cristiano Santana

ILHA

As ondas batem em mim com muita força,

Trazem consigo as marcas da saudade.

Na arrebentação vejo o olhar das pessoas.

Naufraguei no oceano do devaneio,

Tentando achar uma explicação lógica,

Fui acolhido pela ilha do meu ser.

Percorri a extensão do litoral,

Intencionado em encontrar sons suaves.

A brisa se despia, enganando-me mais uma vez.

Avistei uma bandeira no horizonte do oceano.

As miragens se avolumam,

A vontade de retornar pra casa é intensa.

Então percebi que fui ilha por muito tempo,

Relegando as mais belas atitudes,

Omitindo razão existencial

Cristiano Santana

CASA-MATA DO CÉU

Fluídos de amor sobre toda terra alcançam corações.

Herdeiros da graça bradam lindas canções.

Na perfeição ilimitada da paz belas sensações.

Na rota segura da esperança, os valores infinitos ofertados

A plenitude graciosa dos preceitos divinos doados.

Esquecidos foram todos pecados.

Vigorosamente o Autor da graça consola.

Acima da compreensão humana Deus socorre sem demora.

Inconseqüência desmedida para quem O ignora.

Os rumores das lágrimas constantes desaparecerão.

Desestrutura de toda escuridão.

Todo-poderoso Pai da imensidão.

Jesus Cristo torre alta, voz que ressoa nas alturas.

Inabalável e soberano, pai da candura.

Casa forte de forte estrutura.

Seus preceitos perpetuarão.

Desferida a palavra do perdão.

Barco na rota certa, perfeita direção.

Bateu na minha porta para ceiar.

Ouvidos abertos para escutar,

Ofereceu campos belos para morar.

Cristiano Santana

A PONTE

Sonhei com alma inquieta, próxima do caos.

A pacificação era tão distante, indisponível ao coração.

Cerrei os olhos na busca da fluidez concreta.

As convicções eram asas rumando para um abismo,

Petrificadas, as certezas ofuscaram-se.

Diante de mim seres abissais.

Retrocedi, pura covardia, era um instinto de defesa.

Quando vi o precipício tentei firmar os joelhos trementes,

As mãos frouxas eram desalentos.

Nessa saga avistei uma ponte segura,

Era tão firme como uma rocha.

Pude perceber os raios solares sob minha pele.

Senti o calor fortalecendo meus ossos,

Quebrando o breu envolto no meu ser.

A ponte era o caminho que indicava o farol.

Cristiano Santana

SAARA

Recuperação serôdia, calor intenso.

Dunas como barreiras.

Oásis ratificam meu intento.

Apenas um arquétipo migrando,

Passos vagarosos.

Temperatura aumentando.

Sedento, visão turva,

Areia nos olhos,

Miragens de chuva.

Tempestade de areia.

Sedento!

O sol incendeia.

Triste fim do raciocínio?

Clamor atendido,

Beduínos!

Melhor do que na fonte,

Cantil providencial,

Alegria na fronte.

Limiar da satisfação desejada.

Êxodo do deserto.

Epopéia finalizada.

Cristiano Santana

MIRAGENS

Os ferimentos aumentaram com a visão turva.

Enxerguei somente os defeitos característicos.

As virtudes foram postas em segundo plano.

As miragens pulsam de forma intensa,

Sedimentando o imprevisto amargo.

Fez morada fixa na minha ilha.

Não previ a revolução, não era por acaso,

Os portões do ego forma abertos,

Atearam fogo na fortaleza.

Uma manhã cinzenta abateu-me,

Misturando a satisfação com a angústia.

Ontem fui rei, hoje um reles plebeu.

Cristiano Santana

LAPSOS

Trilhando erros, nós atados no ser.

Sigo sendo humano, demasiadamente.

Se há pedras, retiro algumas.

As intenções são notórias,

Fazer a coisa certa ,

Porém há confusão, choque de pensamentos.

Encarar o gigante tempo às vezes dá medo.

Nunca terei o amanhã,

Resta cicatrizar as feridas.

O fogo ardente da vida deixa marcas visíveis.

Errei, isso mostra que sou normal.

Há qualidades na inquietude, posso descansar.

Cristiano Santana

FRONDOSA

Abrangente, abarca todos sem distinção,

Pobre, nu e abastado.

Sombras da proteção.

Impera sem coagir.

Essencialmente soberana,

Antes mesmo do existir.

Espaço para os arrependidos.

Abrigo resistente.

Justiça para os oprimidos.

Despojados dos fardos,

Utensílios inúteis,

Ânimo para os cansados.

Segurança e vigor total.

Doses cavalares de coragem.

Amor incondicional.

Profundamente acolhedora,

Asas receptivas,

Penas protetoras.

Cristiano Santana

FELICIDADE

No mosaico de deleite, pedaços de nós mesmos.

Pilares de uma grande expectativa.

Indagações feitas à esmo.

A felicidade deixa-se ver, só a face enigmática.

Despida parcialmente, a desejamos na íntegra.

Desejo pujante, obsessão automática.

Esconde-se facilmente na verossimilhança.

Frustra até aos mais otimistas.

Clímax efêmero para que a alcança.

Dádiva rarefeita traz alentos.

Pulsa indefinida,

Trucida tormentos.

Saiu de forma grotesca, fugiu,

Nem ao menos disse adeus,

Deixando um grande vazio.

O ciclo da vida prenuncia:

Um momento puro,

Gargalhadas de alegria.

Cristiano Santana

ESTORVOS

Na escassez criativa da vida,

Entraves que dilaceram pensamentos,

Horizontes pálidos e esperança consumida.

Persistir na luta não retroceder.

Evidentes ações no front,

Expectativas claras, não se render.

Barreiras grandes, gigantescas,

Sucessões de erros graves,

Ações quixotescas.

Brios que persistem não se esvair,

Virtudes bem definidas,

A espada da esperança e seu luzir.

Desvio de conduta, ostracismo moral,

Atos falhos, intransigentes,

Anacronia natural.

Qualidades honrosas, de grande valor,

Perspicácia célebre,

Voz ativa do tenor.

Chagas purulentas ecoam distante,

Fétidas e pálidas,

Famigeradas e dissonantes.

Cristiano Santana

EMARANHADO

Pelos atos insanos, lamentos.

Puros impulsos elétricos do mais vil sentimento.

Ondas mentais formadas pelo vento.

Abrem-se as asas da borboleta que persiste.

Caóticas como a estrela bailarina de Nietzsche.

Eólica como a moral que existe.

Disputam-se o retorno à vida.

Reaproximando a grande ferida.

A arte apenas enrustida.

O alvo do elogio de Rotterdam apavora.

D. Quixote ignora.

Os estóicos não embora.

Maquiavel nos ensina o cinismo arrebatador.

As armas alheias não nos trarão louvor.

Limitadas como um momento de furor.

Macbeth disse que o tempo sempre chega ao fim,

No hálito gelado do calor das ações afins.

Pronto para chegar ao Estado de Bakunin.

Cristiano Santana

CRASSO

Ao lançar o olhar na direção norte

Refiz o caminho até o mar,

O vento foi meu aliado, dissipando as sombras.

Propus ao ego uma trégua,

Relendo as memórias da agonia.

A coerência insistia em abster-se.

Tentei ser sensato nos ideais,

Sereno, nas adversidades.

A vida, num dado momento, ocultou seu aceno.

Cortejei o efêmero, era quase obsessão.

Ao lado dos sonhos, um entrave, eu mesmo,

Fomentando as dores ocasionais.

As intenções não se encaixavam na lógica,

Eram frágeis demais,

À beira do caos.

.Cristiano Santana

CÁRCERE

Diluídas na mente, o gosto amargo da cólera,

Prenuncia a hemorragia crônica.

Pautadas no âmago da fúria.

Prestes a entrar em erupção,

Aprisionam na alma

As gotas pesadas das lágrimas.

Ferozmente, sob a égide da atrocidade,

Bradam aos ventos, deixando marcas profundas,

Voz trêmula contagiosa.

Abdicaram aos mais nobres sentimentos:

Sinceridade, afeto, carinho...

Um desafio aos corações.

Numa vala abissal destilaram todo ódio.

Entronizaram-no com toda pompa.

Permeado de todos os males.

Paupérrimo, o coração saiu cambaleante.

Prisioneiro, açoitaram-no,

Estrangeiro no seu próprio lar.

As cicatrizes predominaram,

Porém nunca serão triunfantes,

Audaciosa, a esperança revela-se no cárcere.

Cristiano Santana

AXIOMAS

Na tirania do corpo, evidências do microcosmo obscuro.

Persiste a melancolia da amizade forjada.

Característica hipócrita do sol taciturno.

Profetizam igualdade com olhos pueris.

Dilaceram sonhos nas pontas das lanças.

Forjam desejos com vozes vis.

Visões claras de um mundo inóspito.

Discrepâncias de um jardim solitário.

Estrelas que se apagam no óbito.

As flores predizem coisas raras,

Correntes fortes da sagacidade.

Raízes profundas postas às claras.

No vôo caótico do olhar, brumas cortantes.

Liberdade desejada e vento no rosto.

Pássaro ferido com asas esvoaçantes.

Talvez desilusão incontida na porta de entrada.

Dissonante como um descompasso na dança.

Os heróis e suas habilidades arraigadas.

Cristiano Santana

ATROZ

As feridas sufocaram a pureza,

Os sentidos não pulsam como antes.

Opuseram-se ao significado da belez.

A previsão é unânime: ausência de sensatez.

As águas turvas são evidentes.

Olhos frios da palidez.

Sem poder de reação, o cortejo do improviso.

Fuga sem êxito,

Realidade delirante do indeciso.

Percepções parciais do dia-dia,

Ações nebulosas,

Significado latente da agonia.

A destruição do acaso é uma meta.

Limite entre o remédio e o veneno.

Pasmam-se com a atitude certa.

Ao longo do vale das tentativas há migalhas de atitudes.

As lágrimas são mais salgadas.

Intermináveis sentimentos rudes.

Cristiano Santana