domingo, 4 de abril de 2010

CÁRCERE

Diluídas na mente, o gosto amargo da cólera,

Prenuncia a hemorragia crônica.

Pautadas no âmago da fúria.

Prestes a entrar em erupção,

Aprisionam na alma

As gotas pesadas das lágrimas.

Ferozmente, sob a égide da atrocidade,

Bradam aos ventos, deixando marcas profundas,

Voz trêmula contagiosa.

Abdicaram aos mais nobres sentimentos:

Sinceridade, afeto, carinho...

Um desafio aos corações.

Numa vala abissal destilaram todo ódio.

Entronizaram-no com toda pompa.

Permeado de todos os males.

Paupérrimo, o coração saiu cambaleante.

Prisioneiro, açoitaram-no,

Estrangeiro no seu próprio lar.

As cicatrizes predominaram,

Porém nunca serão triunfantes,

Audaciosa, a esperança revela-se no cárcere.

Cristiano Santana

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