CÁRCERE
Diluídas na mente, o gosto amargo da cólera,
Prenuncia a hemorragia crônica.
Pautadas no âmago da fúria.
Prestes a entrar em erupção,
Aprisionam na alma
As gotas pesadas das lágrimas.
Ferozmente, sob a égide da atrocidade,
Bradam aos ventos, deixando marcas profundas,
Voz trêmula contagiosa.
Abdicaram aos mais nobres sentimentos:
Sinceridade, afeto, carinho...
Um desafio aos corações.
Numa vala abissal destilaram todo ódio.
Entronizaram-no com toda pompa.
Permeado de todos os males.
Paupérrimo, o coração saiu cambaleante.
Prisioneiro, açoitaram-no,
Estrangeiro no seu próprio lar.
As cicatrizes predominaram,
Porém nunca serão triunfantes,
Audaciosa, a esperança revela-se no cárcere.
Cristiano Santana
domingo, 4 de abril de 2010
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