domingo, 4 de abril de 2010

Vaso


Do pó foi oriunda a mais singular forma: O vaso.
Havia uma beleza incomparável, cores vivas e reluzentes,
Sem fissuras ou imperfeições.

O barro o qual teve origem veio do cume de uma montanha, o coração do ser.
Não houve entraves ao dar forma ao vaso, teria brilho próprio, sem mácula.
Sua capacidade de alegrar jardins, florestas e mares era inigualável.

No interior do vaso continha brasas incandescentes, centelhas do amor.
As canções ali entoadas ecoavam na imensidão,
Rumavam para um horizonte pleno, dissipando a escuridão.

Porém o vaso foi quebrado, despedaçado pela vaidade.
Os estilhaços ao longo do chão não faziam alusão à formosura perdida,
Talvez nunca pudesse se reconstituir, ser restaurado...

As mãos hábeis de quem o fez observava, intencionado em refazê-lo.
Eram cacos da revolta, da rebeldia, do ódio insano.
Agora de não passa de lama, dissolvido pelas lágrimas.


Cristiano Santana

Nenhum comentário:

Postar um comentário